A próxima versão de D&D está chegando, e Monsters of the Multiverse é seu primeiro gostinho

Monsters of the Multiverse foi projetado para ter 'retrocompatibilidade' com a 5ª edição

Post de Charlie Hall para o Polygon, dia 18 de Janeiro de 2022.


A editora de Dungeons & Dragons, Wizards of the Coast, está andando na corda bamba. O jogo de RPG de mesa influente completa 50 anos em 2024, e os desenvolvedores estão ocupados construindo a próxima versão do jogo para ser colocada à venda durante essa época. Ao mesmo tempo, D&D está mais popular do que nunca, uma galinha dos ovos de ouro da Hasbro que – junto com Magic: The Gathering – está arrecadando dinheiro como nunca. Então, como os desenvolvedores navegarão no vazio entre a 5ª edição e o que vem a seguir? A resposta é: com muito, muito cuidado.

Nossa primeira dica de como essa transição será realizada é um próximo livro intitulado Mordenkainen Presents Monsters of the Multiverse, um nome confuso para um produto confuso que será vendido de maneira confusa e — pelo menos inicialmente — a um preço visivelmente alto. Vamos detalhar o que está acontecendo aqui e o que isso significa para o futuro do D&D.


Em setembro, o chefe de D&D Ray Winninger deu com a língua nos dentes durante uma apresentação de vídeo.


“Sei que tem havido muita especulação sobre isso, mas posso revelar hoje que começamos — no início deste ano — a trabalhar na próxima evolução de Dungeons & Dragons”, disse Winninger. “Novas versões dos principais livros de regras que serão lançadas em 2024 para celebrar o 50º aniversário de Dungeons & Dragons.”


DUNGEONS & DRAGONS 6ª EDIÇÃO… OU NÃO

É essa parte da “próxima evolução” que mantém as pessoas com receio. Muitos especularam, sem evidências, que será a 6ª edição completa do jogo. Mas há uma desvantagem em romper os laços com quase uma década de produtos — aventuras, cenários, livros de regras e

acessórios licenciados, alguns dos quais estão chegando às mãos de um público corrente principal — e começar de novo. Basta olhar para as várias “guerras de edição” que surgiram ao longo dos anos, quando a franquia passou da 3ª edição, para 3.5, para 4ª edição.


Em vez disso, parece que a Wizards adotará uma abordagem muito mais incremental desta vez, tecendo mudanças grandes e pequenas, mantendo uma conexão com o que veio antes. Monsters of the Multiverse é apenas o primeiro exemplo de como isso acontecerá.


“Estamos trabalhando, enquanto falamos, em revisões dos principais livros de regras que serão compatíveis com versões anteriores”, disse Jeremy Crawford, principal designer de regras de D&D, durante um evento de pré-visualização para a imprensa na semana passada. “Isso estava em nossa mente enquanto trabalhávamos em Monsters of the Multiverse. [...] Portanto, este livro não estará apenas pronto para ser lançado, mas conseguirá continuar nos próximos anos.”


Então, o que significa compatibilidade com versões anteriores em D&D? Para Monsters of the Multiverse, isso significa mexer com um pouco da matemática e consagrar mudanças sutis que foram feitas desde 2014 para adaptar o jogo para um público moderno, cada vez mais progressivo e agora completamente mainstream. Honestamente, fora da criação de personagens, não tenho certeza se a maioria dos jogadores notará as diferenças.


O CALDEIRÃO ESSENCIALMENTE RACIAL DE TASHA

Monsters of the Multiverse, explicou Crawford, é dividido em duas partes. A primeira metade do livro inclui 33 raças de personagens de jogadores lançadas anteriormente que, até agora, nunca foram reunidas em um único volume [aqui você confere as principais mudanças nas raças]. Cada uma dessas raças será apresentada em um formato revisado, visto pela primeira vez em Tasha's Cauldron of Everything (2020), que separa formalmente os aumentos de pontuação de habilidade (Força, Constituição, Sabedoria, etc.) da raça do personagem.


“Nós realmente queríamos reforçar que todas as raças do jogo são tão flexíveis quanto os humanos no que diz respeito à variedade de cultura e personalidade”, disse Crawford.


A manobra é uma tentativa de pegar os elementos racistas que o D&D carrega dentro de si por quase quatro décadas e jogá-los diretamente no sol. Ao mesmo tempo, permite que os tradicionalistas continuem fazendo do jeito que estão fazendo, usando as regras herdadas para a criação de personagens publicadas pela primeira vez no Livro do Jogador em 2014. Se você e seus jogadores não acharem que está quebrado, então você não precisa consertá-lo — mas novos livros daqui para frente não vão mais encorajar os jogadores a fazer dessa forma.

Claro, Crawford foi rápido em apontar que isso é mais que apenas um aceno para as críticas atuais de um jogo realmente antigo. Há outro grande motivo também.


“Quando começamos a trabalhar em [Monsters of the Multiverse], não gostamos de como a escolha da raça no jogo — se você será um membro da raça humana ou uma das muitas raças fantásticas do jogo — muitas vezes tinha muito peso na escolha de classe do jogador”, disse Crawford.

Essencialmente, se você está tentando construir o guardião mais eficaz possível (ou mago, ou monge, ou artífice), existem algumas raças que são menos eficazes do que outras ao usar as regras mais antigas. Agora os jogadores serão mais capazes de “seguir sua vontade”, como Crawford colocou, e não serão “classificados” em certas classes com base apenas em sua escolha de raça.



MANUAL MONSTER: LIVRO DOS MOSTROS 2, TAMBÉM

A segunda metade do livro é uma coleção de mais de 250 monstros, alguns dos quais totalmente novos. Mas todos esses monstros estão sendo apresentados de uma maneira totalmente nova.


Primeiro, eles não são mais definidos apenas como residentes de um plano específico do multiverso de D&D. Em vez disso, eles são apresentados como muito mais vertentes e facetas. Alinhamentos — caótico mal, neutro, ordeiro e bom — foram arquivados em alguns lugares como mais um aceno para remover o essencialismo racial do jogo. Isso tem o benefício de abrir novas oportunidades para Mestres apresentarem inimigos clássicos a seus jogadores de maneiras novas e interessantes. Ele também dará à Wizards of the Coast mais espaço para expandir seu multiverso, seja relançando cenários clássicos como Dragonlance e Spelljammer ou liberando cenários totalmente novos criados do zero.


A Wizards fará mais uma grande mudança nos monstros que tem a ver com algo chamado “Nível de Desafio”. Essencialmente, os Mestres podem usar a referência do Nível de Desafio de um monstro para determinar se é uma boa opção para seus jogadores. Talvez seu grupo esteja com poucos membros naquela noite. Para compensar, você vai querer trocar aquele dragão de bronze ancião por algo com um nível de desafio mais baixo. Ou talvez você tenha se precitado e dado muitos itens mágicos nessa última aventura, deixando seu grupo muito forte à curto prazo. Basta escolher um monstro com uma classificação de desafio mais alta e pronto.


O problema é que atribuir um nível de desafio é mais uma arte do que uma ciência para designers. Por outro lado, às vezes é difícil para os Mestres usarem um monstro “corretamente” na mesa. Para resolver os dois problemas, a Wizards está reorganizando as estatísticas e habilidades dos monstros, aprimorando alguns e nerfando outros. Enquanto isso, todas os níveis de desafio permanecerão exatamente os mesmos.




“Nós não mudamos nenhum dos níveis de desafio”, disse Crawford, “porque queríamos ter certeza de que os Mestres que já estavam usando esses monstros — e outros produtos que estão usando esses monstros — ainda poderiam usá-los no mesmo nível desafio. Mas o que fizemos foi garantir que cada monstro realmente representasse seu nível de desafio.”


No passado, Crawford disse, tudo o que um monstro tinha que fazer para “ganhar” seu nível de desafio era ter um “caminho dourado” singular de ações — magias, ataques corpo a corpo, ações lendárias, etc.— que, se usadas na sequência adequada pelo Mestre, correspondia ao que os designers tinham em mente. Em Monsters of the Multiverse (e, presumivelmente, em todos os novos livros de D&D daqui para frente) esse caminho dourado será muito mais amplo.


“Agora fizemos com que cada um dos monstros tenha sequências de múltipla escolha que levam ao mesmo [Nível de Desafio]”, disse Crawford. “Quase qualquer estratégia de combate que o Mestre escolher através de um monstro, ele representará esse nível de desafio.” Isso será especialmente verdadeiro para monstros de nível alto, de acordo com Crawford.


COMO O LIVRO SERÁ VENDIDO

A Wizards of the Coast não está isenta dos problemas contínuos da cadeia de suprimentos global que estão afetando tudo, desde fabricantes de automóveis até mercearias locais. Com Mordenkainen Presents Monsters of the Multiverse, no entanto, definitivamente parece que a empresa foi pega com a mão no proverbial pote de biscoitos.


Acontece que este livro deveria estar disponível a tempo para as férias. Como tal, a Wizards optou por apresentá-lo ao mundo como parte de um conjunto de luxo de três volumes intitulado Dungeons & Dragons Rules Expansion Gift Set que custa $ 169,99 dólares (R$ 868,25 até a publicação dessa matéria). Juntamente com uma capa chique e um escudo do Mestre, Monsters of the Multiverse será empacotado ao lado de edições revisadas do Guia de Xanathar para Todas as Coisas e Calderão Incomensurável de Tasha, dois livros que também funcionam como expansões no conjunto principal do Livro do Jogador, Livro do Mestre, e Livro dos Monstros.


É uma abordagem para lançar novo conteúdo que a empresa não tentou antes na 5ª edição e, desta vez, parece ter saído pela culatra, efetivamente eliminando esse novo conteúdo por um período de tempo, a menos que você esteja disposto a pagar um tesouro. Como os lançamentos anteriores, este conjunto em caixa também está disponível em uma edição de colecionador com arte de capa alternativa. Espera-se que ele chegue à lojas online, como a Amazon, até 25 de janeiro.


Então, em resumo: Mordenkainen Presents Monsters of the Multiverse será lançado como um produto físico como parte do conjunto de presentes de expansão Dungeons & Dragons Rules, que será vendido por US $ 169,99. Será lançado em 25 de janeiro. As pré-vendas para o livro independente – e para plataformas digitais como Fantasy Grounds, Roll20 e D&D Beyond – começam em 18 de janeiro, com entrega prevista para 17 de maio.

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